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De Grenada ao Panamá

Zarpamos de Grenada no dia 11 de janeiro de 2017. Abastecemos e fomos saindo já às quatro da tarde. Sempre saio pela manhã, mas a saída era tão fácil e sem obstáculos que daria até para sair à noite. Soltamos o drone que fez os últimos registros antes de dormir, ele era o nono passageiro.

Assim que nos afastamos da ilha, que barrava o vento, as velas encheram e o motor foi desligado. Pela previsão do tempo, no dia seguinte teríamos ventos bem fortes e eu estava satisfeito com isso, pois tinhamos alguns problemas de relacionamento, e este vento iria nos unir de novo.

Todos sabiam da previsão, pois foi Papini quem entrou no computador ainda em terra e espalhou a noticia, enquanto eu esperava o ventão para dar um batismo nos novatos.

A previsão não chegou a falhar, mas em vez de um vento de arrepiar, veio forte, mas na medida certa, e em menos de sete dias completos, tínhamos percorrido 1250 milhas e tínhamos chegado em Colon, no Panamá pelo lado do Atlantico. O barco voava baixo, com vento e correnteza a favor.

As linhas de pesca não conseguiam pegar um so peixe, estouravam sem parar, pois eram imensos. Só no final da viagem pegamos dois atuns pequenos que foram logo consumidos, a maior parte ainda crus e sangrando.

A cidade de Colon é conhecida como região perigosa e todos nos alertavam para tomar cuidado e andar de taxi. Nada de entrar em favelas e perambular a pé. A burocracia é imensa e paga se caro para atravessar o Canal, para navegar em águas panamenhas, para tudo que você possa imaginar.

Marcaram o dia da travessia e o piloto veio a bordo para dar inicio ao trabalho. Iríamos dividir a eclusa com um navio que não ocupava todo o espaço, irámos entrar no cisco. Do cais, lançaram as retinidas, atracaram os cabos, fecharam as comportas e o nivel da água começou a subir.

A operação requeria 5 pessoas, uma em cada cabo de amarração e uma no leme. A medida que o nível da água subia ou descia, os cabos eram ajustados o tempo todo. Como éramos muitos, enquanto uns manejavam os cabos, os outros filmavam e fotografavam tudo. Subimos 3 eclusas e já tinha escurecido.

Por isso dormimos no Lago Gatun, e só na tarde do outro dia apareceu um novo piloto para dar continuidade. Percorremos toda a barragem em 5 horas e depois descemos mais três eclusas antes de continuar já em águas do Oceano Pacífico. Estar de volta ao Pacífico foi para mim uma festa, para os novatos um batismo. Em algumas eclusas entramos três veleiros de vez.

Como o Fraternidade era maior, ele ficava no centro com um veleiro atracado nele de cada bordo. A correnteza nas eclusas era grande e precisámos ficar bem atentos para não ralar os barcos no paredão de concreto. Passamos por baixo da Ponte das Americas, já que o canal separou os dois continentes, o do norte e o do sul.

Continuamos por mais quase uma hora e então a lancha veio buscar o piloto e continuamos sozinhos. Ainda me lembrava mais ou menos onde ficava a Marina Playta de Amador, e mesmo no escuro, consegui escolher um lugar e ancorar para dormir. Estava feliz, tinha cumprido mais esta etapa e todos a bordo estavam eufóricos. Para eles, atravessar o Canal do Panamá foi um rito de passagem. Para mim, mais uma etapa vencida.

Quando amanheceu, surgiu uma aurora linda, a primeira entre tantas outras que vivenciamos e ainda iriamos vivenciar no Oceano Pacífico.

Cidade do Panamá, 01 de fevereiro de 2017.

Aleixo Belov

falando sobre “De Grenada ao Panamá”

  1. Uma verdadeira experiência de vida. Todo cidadão de bem deveria ter esta oportunidade de velejar.

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